Glamour?

by

A quem da revista que for ler esse e-mail,
Eu tenho profundas críticas à Revista Glamour. Não sei se vocês do staff concordarão com as minhas posições, mas grande parte do que eu li foi tão absurdo e antiquado, que não pude deixar de encontrar o contato de vocês para explicar o que me incomoda.
A revista chegou até mim com uma matéria sobre como ser hipster. Dentre s dicas da revista estão morar em um bairro alternativo, andar com pessoas que se vestem do mesmo jeito e como é importante postar no instagram tudo o que se faz. A matéria pareceu tão absurda que achei que era irônica. Por falar em como entrar para a turma de descolados e dar ideias sobre como devem ser as tatuagem das meninas ao lugar onde elas devem morar. Um hipster tem que ter um cachorro de grande porte e ouvir músicas muito específicas, porque é cool. Acho que tanto isso de “como entrar para a panelinha esquecendo da sua individualidade” quanto ditr como alguém deve viver é algo que deveria ter sido ultrapassado lá pela década de 1960, não? Afinal, essa separação em grupinhos descolados e não-descolados que originou o bullying, um grande problema da sociedade atual.
Já que entrei no assunto do bullyng, outra matéria me chamou atenção: a revista questionou a possiblidade de uma moça fora dos padrões ganhar a vida como modelo. Ao que a matéria dá a entender, a moça é feia e faria sucesso por ter uma mãe muito bem relacionada no mundo da moda. Não vi nada de feio na moça. O mais estranho ainda: não vi nada fora dos padrões. Uma moça magérrima, branca, de olhos claros. Não é surpreendente ela ser modelo. O que é surpreendente é ainda existirem pessoas que buscam esse padrão insano de beleza de passarela, tão excludente. O tom da matéria beira o deboche, como se ela fosse muito feia para ser modelo (tenho que reforçar que a matéria inteira não fez sentido para mim).
Outra matéria que está em destaque na página inicial é uma em que vocês transformaram a Valesca Popozuda e Jaque Koury em “ladys” e passaram uma lista de como uma lady se porta. O lead da matéria é “Nenhum obstáculo é intransponível para a Glamour! Transformamos duas popuzudas que amamos em ladies dignas de um chá das 5 com a rainha da Inglaterra”. Como se elas, por terem optado por uma outra postura, estivessem erradas e vocês tivessem um feito homérico em transforma-las para se adequarem aos padrões. Na matéria, vocês falam (copiarei literalmente mais uma vez, desculpem):
Uma lady jamais é vista mascando chiclete ou mastigando fora da mesa. Até numa mesa de bar, numa roda de samba, ela come sentada, com o guardanapo no colo. Certa vez, perguntei a uma amiga muito lady, como ela seguia a regra num coquetel. “Há coisas muito mais interessantes para fazer num coquetel que comer e beber. Como estar bonita para um possível marido.”
Pois é. Uma mulher deve se preocupar em estar bonita ao lado de um futuro marido, não devendo nem comer para não sair do padrão de lady. Não é uma afirmação legal de se fazer. Um coquetel pode levar horas, e uma mulher pode ter fome (sim!), ou ter mais a contribuir que ser um rosto bonito ao lado do marido. Na mesma matéria, a lady sai arrumada até para ir ao mercado, pois se encontrar um ex, vai querer se vingar. Esse é o meu conceito oposto ao de mulher educada (supus que era isso que vocês quiseram dizer com lady). Acredito que o melhor seria não guardar rancor, viver feliz e desejar o melhor ao outro. Talvez eu viva em mundo fantasioso, mas acho que quando o amor acaba, não se deve buscar fazer uma invejinha ao ex, mas deixar as mágoas para trás e seguir em frente com a vida. Além do mais, ninguém precisa deixar de lado o moletom fofinho de domingo porque vai na farmácia. Acho que uma lady não deveria sair julgando as outras mulheres assim.
Não vou dizer que não vi coisas positivas na revista. A reportagem sobre a Carol Marra, sobre uma mulher que nasceu menino, muito positiva para lutar contra o preconceito a essas mulheres. Muito legal mostrar que ela consegue ter uma vida ok, com emprego, graduada em três faculdades, apesar de todos os obstáculos da vida (com certeza, obstáculos maiores que colocar um vestido de festa em uma panicat). A entrevista com a Tammy Gretchen (apesar da forma irônica que a mãe dela é tratada) também traz uma história muito bonita de aceitação da família, muito interessante. Na verdade, a coluna “Na Real” mostra muito mais do que se espera de uma revista feita para uma mulher moderna que outras.
Fiquei impressionada como a revista se moldava, na maior parte do tempo, em ideias ultrapassadas sobre mulheres e comportamento. Vi as páginas da versão americana e francesa, e nada disso aparecia por lá. A questão de moda é tratada com muito mais leveza por elas, sem imposições para as leitoras, ou tentar fazer com que as pessoas sejam o que não são. Apesar de eu ter as minhas reticências com a indústria da moda, acredito que a Glamour tenha mais a oferecer que mostrar como podemos tentar seguir um padrão frustrante – visto que até modelos são questionadas como ideais pela revista. Não sei se essa crítica será ouvida, mas espero que o corpo editorial da Glamour repense sobre a imagem que passam às leitoras. Grande parte é muito cruel.

2 Respostas to “Glamour?”

  1. stuart pikão Says:

    Intrigante

  2. Elisa Says:

    Helo, concordo com você. Não tiro nenhuma palavra.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: