A verdade sobre ser mãe

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Estudei minha vida inteira em colégio público, uma experiência na qual as gurias têm sorte de sair sem filhos. E como sempre, quando alguém dá a luz, vão todas as amigas “celebrar”. Não venham me dizer que é uma coisa ótima, isso é pura hipocrisia.

Sempre que eu chego na casa de uma dessas amigas, alguém, mais filho da puta do que eu, tem a audácia de perguntar “e como você está?”. Simplesmente isso não se faz, em visita a mãe alguma. A resposta é sempre algo do tipo “não durmo faz duas semanas, minhas costas doem, meu peito ta em carne viva, a criança só chora, o pai não ajuda em nada, gasto um pacote de fralda por dia, to comprando NAN a 20 reais o pote, MAS ESTOU FELIZ”. Sim, por que este é o conceito de felicidade: estar morta, acabada, sem tempo de fazer um rabo de cavalo, mas com uma pessoa que vai sugar seu dinheiro, energia, planos, amigos e qualquer outro projeto (de ter um cachorro a morar em Paris por um ano) pelas próximas décadas.

Se nós vivêssemos numa sociedade um pouco menos hipócrita, a mãe teria a coragem de falar “Maldito seja o dia que eu disse SIM a esta idéia de jerico!” “não acredito que eu quis economizar dois reais de camisinha” “o filho da mãe não tinha quinze paus pra comprar uma merda de uma pílula”. Mas como ninguém pode segurar o filho e chorar vendo o doutorado em Oxford ir embora, se contentam a dizer que estão felizes. Esta é a mentira que você vai se contar para o resto da vida, quando ouvir sua filhinha balançando o quarto ao lado.

Como vivemos em um mundo absurdamente hipócrita, os pais dizem “ah, eu queria ter aceitado aquele trabalho para cuidar de crianças na África, se não fosse o Júnior. SE EU TIVESSE ESCOLHA, FARIA TUDO IGUAL, mas esperaria um pouco mais”. Está escrito na cara de todos: se tivessem escolha, nunca iam ter essa idéia de preservar espécie, só de treinar, de preferência, com pessoas e em lugares diferentes.

Quando uma das minhas velhas amigas me pergunta por que eu não quero ter filho, eu respondo que não tenho cabeça para isso. Se eu fosse menos hipócrita, dizia “e acabar como você? Jamais!”.

 

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