Futebolização

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Existem coisas que não se faz. Nossas mães nos ensinaram a não cutucar o nariz na frente dos outros, a botar a mão na frente quando espirrar, e a dizer “por favor” e “obrigada” (ou obrigado, caso você seja homem). Mas tem uma coisa que os nossos pais deveriam ter ensinado: não chame amigo que torce pro time rival pra ver jogo com você.

Quem já teve a brilhante idéia sabe o que eu estou falando. Um vê pênalti onde o outro acha que o jogador se jogou, se tira sarro mutuamente quando o time leva um gol, e geralmente o jogo acaba com portas sendo fechadas na cara de alguém. Por que futebol é paixão, é adorar um time sem nenhum motivo contundente, é ser parcial e querer que o outro se dane só por que torce pelo seu rival.

A nossa orientação política devia ser diferente. Com todo o blábláblá e “festa da democracia”, a idéia é que se discutam opiniões, que as idéias conversem entre si, por que quem chegar ao poder vai impactar sobre a vida de todo mundo.

(este parágrafo tem oferecimento do Cap. Óbvio)


Mas o futebol ta há mais tempo nas nossas vidas que a democracia, e não importa que você tenha nascido quando o país já era democrático, você me entendeu. Escolher um candidato é motivo para erguer bandeira, transformar um jantar com os amigos em motivo de brigas intermináveis, gente que ameaça até mudar de país.

Curtir alguma coisa, seja o Corinthians, o PT, o José Serra, maconha ou sexo sadomasoquista é uma coisa tua, que algumas pessoas têm a mesma opinião que você, outras não (direitos autorais cedidos pelo Cap. Óbvio). Mas o fato de uma pessoa torcer pela malvadinha de Malhação não significa que ela te odeia, ou que você deva atear fogo na casa dela (entenderam, psicopatas?).

A maior prova de babaquice que alguém pode dar para os outros é tratar tudo como futebol, responder xingando, brigando e ofendendo outros (ou ofender quem te ofendeu). Não precisa futebolizar a vida, achar que quem pensa diferente de você está te ofendendo. Você não vê jogo com o amigo que torce pelo outro time, assim como você não precisa converter ninguém para a sua posição política, orientação sexual, ou religião (a menos que você seja um padre Jesuíta). Afinal, sua mãe nunca te ensinou que brigar é muito feio?

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