Separatismo

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Eu estou escrevendo esse texto com muita raiva. Hoje foi divulgada no Terra uma entrevista com um jovem paulistano participante de um movimento social, que se diz contrário ao aprendizado, em escolas de São Paulo, da cultura nordestina. Para ele, as pessoas estão sub valorizando as tradições do estado. Com todos aqueles clichês sobre o “não pertencimento” e que “ninguém faz nada pelos paulistanos”, ele disse que não é um separatista, mas que os imigrantes deveriam voltar para as suas cidades de origens, entre um monte de bobagem e outra.

A primeira coisa que me passou pela cabeça foi  “esse piá é índio?”. Nós, brasileiros, somos todos imigrantes. Viemos enganados da Europa e da Ásia, à força da África, refugiados de todo o lugar. Se todo mundo for “voltar de onde veio”, eu tenho que me repartir em quatro. Alguns amigos meus vão deixar um braço em São Paulo, uma Perna no Paraná e seguir feito saci para a Paraíba.

Eu queria entender o que faz uma pessoa se considerar um paulistano “puro”. O que faz de um piá neto de italianos achar que merece mais o titulo de paulistano (nossa, que título importante) do que o filho de pais nordestinos, que provavelmente vem de uma família com mais gerações de Brasil. Sim, é tudo Brasil, e São Paulo não forma um “povo” homogêneo, muito menos uma Nação digna de ser desmembrada e formar um novo Estado.

Uma Nação é formada por língua, cultura e religião. Tentem, por um minuto, pensar qual seria o retrato da “nação” de São Paulo. Segundo, uma Nação, para poder ser chamada de secessionista, tem que sofrer perseguição, tem que ter problemas enormes com o Estado, e não ser fruto de um pessoal que mais chora do que faz alguma reivindicação de alguma importância política. Terceiro, essas pessoas já saíram da cidade de São Paulo? Se saírem, vão querer separar São Paulo de Barretos, de Santos, de Ourinhos. Não existe cultura homogênea nesse país.

O motivo dos CTNs e das leis atuais existirem são pessoas manés o suficiente para se acharem superiores aos outros, pessoas que não conhecem a história de seu estado, do seu país e, por isso, criam preconceitos idiotas (redundância, já que não existe preconceito que não seja idiota).  Infelizmente essa lei chegou atrasada para alguns filhinhos de papai criados no leite com ovomaltino. Espero que a próxima geração saiba usar a liberdade que tem para protestar por coisas que realmente valham a pena.


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