Viajar de carro

by

Eu adoro viajar de carro. Acho que eu fui forçada a gostar, afinal desde criança eu virava dias passando a estrada, sempre de carro e sempre com os meus pais.

O grande problema nisso é meu pai (ainda bem que Freud não lê meu blog), que acha que quem o ultrapassar vai falar dele no bar com os amigos. Imagine a cena: você está tomando uma cerveja com seus amigos, eis que algum toma um gole, olha para o próprio copo, dá umas balançadas na bebida e diz “sabe, esses dias, na estrada, eu ultrapassei um cara”, e todos respondem “nossa, o cara que você ultrapassou é um trouxa”. É isso que passa pela cabeça do meu pai. Por isso, andar de carro com ele é arriscar a vida.

Como eu sou a única filha, sempre tive todo o banco traseiro pra mim, por isso nunca tive problemas em me acomodar.  Agora, que eu viajo com meu namorado, fica mais complicado. Um se mexe um pouco, o outro também, e eu não consigo dormir. Não só porque quando meu pai faz uma curva a gente parece um monte de laranjas soltas dentro do carro, mas eu não consigo dormir sentada. Nem com os tangos que meu pai ouve, nem na aula de Economia Brasileira (até hoje, não sei como consegui essa proeza). Acho que eu seria uma ótima motorista para a estrada. Além de toda a sensualidade em ser caminhoneira.

Quando eu era pequena, sempre ia junto dos meus pais para o Paraguai. Uma vez meus pais compraram um cachorro de pelúcia lindinho, parecia de verdade, e quando dava tapas nas costas dele, ele começava a chorar. Fui de Foz até cascavel batendo no cachorro. Ou seja, 144 km torturando um animal de Taiwan. Meus pais colocaram o bichinho no porta-malas, onde ele ficou chorando cada vez que se passava  num buraco por mais 100 km, quando tiraram a vida as pilhas dele.

Mas se tem uma coisa boa na estrada é a comida. Todos os restaurantes têm buffets lindos, carnes perfeitas, doces maravilhosos, chocolates artesanais, tudo para garantir que você fique enjoado por uns 300 km. Ou para forçar você a usar os banheiros deles. Se você é mulher, sabe como dá nojinho ir em banheiro público, sem tampa, sem trava nas portas em alguns lugares e cheio de pessoas que querem falar por que estão viajando. Se você é homem, além de não estar nem aí, mija em qualquer lugar, que eu sei.

Mas, mesmo assim, é mais legal viajar assim do que de quase qualquer outra forma (tirando de avião, que é legal desde falar para os amigos, até chegar). Você para onde quer, conhece todo o tipo de lugar, se perde, xinga os outros sem motivo (ok, só meu pai) e curte a paisagem. O enjôo passa, os caminhões ficam pra trás, os outros carros… Bom, esses ficam lá atrás mesmo, pra não tirarem sarro de ninguém.

Tags: , , , ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: