muito além da sinceridade

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Eu tenho um problema sério: sou muito sincera. Você pode pensar “ah, legal, adoro gente sincera”. Você está mentindo, a coisa que você mais quer é que digam que você emagreceu, que seu cabelo está bom e que rosa com vermelho não é tão ruim assim. A sinceridade é uma merda para mim e, na maior parte dos casos, eu só me ferrei.

No primeiro período da faculdade, dentre todas as pessoas estranhas que estavam na minha sala (só as mais menos estranhas se formaram), tinha um menino hiperativo. Não como a doença, mas como se tivesse cheirado pó o dia inteiro e depois fosse para a faculdade. Uma vez, saindo do banheiro, o piá começou a falar, gesticular e pular na minha frente. O que eu fiz? Perguntei se ele cheirava muito. Assim, como se eu perguntasse se ele sarou de uma gripe. Pois é, ele ameaçou me bater, disse que é era contra, e falou e gesticulou ainda mais para falar que era geração saúde.

No segundo período do curso, nós tínhamos uma professora muito nova e bastante querida, a Prof. Helena. As piadas eram inevitáveis, mas só entre meus amigos mais próximos (não se espantem, mas na minha sala tinha gente que nunca viu Chaves, Carrossel ou leu turma da Mônica). Voltando ao assunto, a Prof. Helena tinha o cabelo cacheado. Um dia ela surgiu com o cabelo liso, e todo mundo comentou. Ela disse “ah, fui numa festa sábado, quis mudar um pouco” e eu “mas hoje é terça”.

Até hoje me sinto mal por ter falado aquilo para ela. Na hora, eu não pude fazer nada, abaixei a minha cabeça e fui sentar. Não tinha como arrumar aquela cagada, só ia piorar com qualquer coisa que eu dissesse.

Quando eu faço entrevistas de emprego, sempre me perguntam meu pior defeito. Eu sempre digo “sinceridade”. O pior não é isso, o pior é a pergunta que segue “diga um momento que a sinceridade atrapalhou seu relacionamento com as pessoas”. Eu vou dizer o que? Que falei para um professor que a guria da pós não sabe aplicar teoria porque estudou na unibrasil? Que inventei música prqa um piá que fedia no Ensino Médio (ok, um pouco de maldade da minha parte)? Ninguém gosta de pessoas muito sinceras, nem o Gandhi, que falou que a verdade nunca deve ultrapassar a não violência. E, para o Gandhi não gostar disso, alguém deve ter comentado sobre a fralda que ele usava.

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3 Respostas to “muito além da sinceridade”

  1. Barbra Eliza Says:

    O post é bom, mas parece que faltou o fim…fora isso, deu pra rir!

  2. Marceli Says:

    Heloooo, eu te entendo.
    apesar de ainda achar que vc é pior que eu (apenas pela questão da minha timidez que ainda restou!)

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