#Polemizando

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Algum executivo do Google, de saco cheio, resolveu divulgar os dados de quais países pedem a retirada de conteúdo, e a quantidade dessas retiradas. E nós, Brasil, lideramos o ranking da frente dos outros BRIC – legal, ganhamos deles em alguma coisa.
Nós adoramos exagerar. 99% dos brasileiros sofrem da síndrome de Scarlett O’hara quando se trata de nós mesmos. Sim, porque nós adoramos zoar os argentinos, portugueses, árabes, judeus, americanos. Mas quando a barra pesa para o nosso lado, ou quando é Copa do Mundo, não pensamos duas vezes em defender o Brasil. Somos a favor da escolha do Rio como sede da Copa. Rio de Janeiro: uma cidade sem tráfico, prostituição ou desvio de verbas. Mas se fosse escolhido Chicago, a cidade da máfia, das ruas congestionadas por prostitutas, da jogatina, que só vai pra frente por que é movida pelo suor do imigrante latino (leia em tom de atriz mexicana revelando que deu uma das filhas gêmeas para um maneta esquizofrênico, para se livrar do chefe que queria cozinhar a criança junto com a sopa), seria digno fazer piada.
Brasileiros, em geral, se ofendem fácil. Nós nos ofendemos quando somos marginalizados, quando agridem a integridade das nossas mães no trânsito (como se elas tivessem dirigindo em vez da gente), e quando fazem algum comentário sarcástico no twitter. O twitter, nos seus 140 caracteres, tem provado que as palavras machucam, e não só quando levamos um livro na cabeça. Junto do orkut, o lugar com mais coitados que o Clube dos Cornos, é onde tudo o que você falar vira uma discussão de relacionamento. É como casamento: muita reclamação e nenhum sexo, quando se deveria estar ali só pela diversão.
Acho interessante como isso não se reflete a outros campos das nossas vidas. O governo está uma merda desde a redemocratização e ninguém liga. Quando tem algum escândalo assinamos e-mails e repassamos, como se isso fosse um exemplo de civilidade. Ninguém usa o humor para alfinetar quem deve. Afinal, ridicularizar uma figura digna como o Sarney, peça fundamental no museu do óleo de peroba, é uma ofensa aos brasileiros. Dizer que a família Magalhães tem um reinado dentro do Brasil é mentira – a Mallu Magalhães nem é tão influente assim.
Ninguém aqui fala o que quer. O nosso sensor não é mais o DOPS. Na verdade, podemos berrar que amamos o comunismo ou o livre mercado, escrever isso nas nossas testas, que nada vai acontecer. Ninguém vai nem brigar, nem apoiar. Mas vá escrever em alguma rede social que você não está nem aí para o BBB. Já li que quem ignora isso é contra a diversidade, como se explorar estereótipos fosse uma boa forma de mostrar a riqueza dos brasileiros.
Quando falam que o Brasil é o país do futuro, eu discordo. Nós somos o país do passado, nós ainda vivemos trancafiados embaixo da Estação Pinacoteca, mas agora a inquisição está a um clique do nosso alcance.

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Uma resposta to “#Polemizando”

  1. Nicolau Says:

    Texto massa. Só achei que você fez uma piada triste de jornalista aqui: “O twitter, nos seus 140 caracteres, tem provado que as palavras machucam, e não só quando levamos um livro na cabeça.”

    mas no mais gostei bastante do texto

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