Semáforos

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Os semáforos de qualquer cidade são um pouco de tudo: um palco meia boca, um lava rápido, uma loja de conveniência. Mas a quantidade de coisas oferecidas por aqui tem aumentado demais.
Não sei como é nas outras grandes cidades, mas aqui em Curitiba a estratégia das imobiliárias para conseguir vender é simples: todo semáforo que você para tem alguém distribuindo panfletos de algum super-lançamento revolucionário.
O que me deixa assustada é que por dois, três meses, eu só recebo panfletos de um imóvel, em todos os sinaleiros que eu paro. A cidade não tem crescido muito, pelo jeito. Mas isso é como se te forçassem a ter o tal apartamento: não quer receber nossos flyers? Então compre!

Eu acredito que eu, sozinha, já peguei mil folhetos de apartamentos em Curitiba. Alguma vez imaginei comprar algum? Já indiquei esses lugares para alguém? Tudo o que fiz com eles foi dar para algum catador de papel, que devem estar ricos com a quantidade desses anúncios, vendidos a quilo.
Uma coisa incrível e, eu espero, exclusiva de Curitiba é a venda de jornais no sinal. Ok, isso acontece em todo lugar. Mas só aqui se vende o jornal de domingo no sábado. Os editores da gazeta do povo devem ter um conjunto de videntes, médiuns e pais de santo para antecipar as notícias. O jornal de sábado sai às 7 da manhã, e o de domingo ao meio dia.
E sim, o jornal de domingo é o mais caro de toda a semana. Simplesmente pagamos mais para ler notícias velhas. Reis do marketing.
Na esquina da casa do meu namorado, dependendo do dia, tem um trompetista tocando. Nós ouvimos o som dele do sétimo andar. Nossa, que legal, né? Seria, se o pseudo-músico soubesse mais de 30 segundos de alguma música, ou se ele tocasse pelo menos cinco músicas diferentes durante o dia. Ouvimos o mesmo riff várias vezes, mas isso não importa: quem está no carro ouve e paga pra isso. O que me faz pensar: essas pessoas não têm som no carro? Ou fazem de conta que ouviram alguma coisa? Porque, honestamente, eu não pagaria nada para um cara tocar jazz super alto do meu lado, a menos que ele ameaçasse a minha integridade física com o trompete.

De qualquer forma, eu sigo pegando panfletos, comprando jornais no dia errado e ouvindo (forçadamente) o trompete. Afinal, antes eles do que os assaltantes que temos, em todas as cidades grandes do Brasil. Falando nisso, acho que vou ligar para a Gazeta do Povo, pedindo que permitam que as imobiliárias coloquem os folhetos no meio dos cadernos dos jornais, e colocar os quase músicos para vendê-los.

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