limpeza de primavera

18 de agosto de 2013 by

Hoje foi um domingo de manhã de sol que eu não pude aproveitar como eu queria porque precisava estudar. De repente, o meu armário, com tanta coisa que eu não usava mais, tanta coisa cheirando guardado, que resolvi fazer uma limpeza de primavera, torcendo internamente para que esse sol fique até Dezembro.
Limpar o armário é uma terapia pra mim, o que eu não quero mais, o que passa uma imagem de mim que eu não quero mais carregar. É estranho como um vestido de um ano atrás pode parecer um erro absurdo, ou tentar entender o que me levou a guardar uma blusa que eu não uso há quatro anos. Reorganizar, colocar as roupas no lugar certo, mudar de categoria as roupas de sair para roupas de ficar em casa, ou para doar, pensar na alegria que alguém teria se o frio voltasse e tivesse meu casaco para fazer companhia.
Eis que encontro as cartas. Cartas para pessoas que nunca saberão que a minha válvula de escape é escrever tudo o que eu sinto no momento, indicar uma música no final e nunca assinar. Cartas para quem procurava as cartas para saber se eu queria terminar, cartas da dor em lembrar-me das tardes de sol fazendo tereré com o pensamento de ter alguém do meu lado, cartas que foram verdade por muito pouco tempo.
A tarde na praia, a indicação de músicas, de filmes, os olhos azuis olhando com tanta admiração enquanto eu falava sobre o cerco de mil dias a Moscou, os sonhos quebrados. Uma verdade que não serve mais, igual às calças 34. Ainda bem. A vaga noção de beleza se tornando motivo de vergonha, as mudanças que eu passei desde o ultimo verão, não conhecer mais ninguém que nunca tenha ouvido Stones ou Beatles, jogar fora a lingerie preferida para encontrar-me com ele.
Esquecer dos vestidos rosa que não têm mais nada a ver comigo, das cores na água e dos filmes não vistos. Deixar para lá as roupas de academia, as caminhadas até a sua casa e tudo que foi tirado de mim com paixão.
E não reler as cartas. Jamais voltar àquele lugar, aquele momento que a costura do que poderia ter sido um vestido lindo se desfez. Não tentar recolocar as roupas que não me cabem mais.

Glamour?

28 de julho de 2013 by

A quem da revista que for ler esse e-mail,
Eu tenho profundas críticas à Revista Glamour. Não sei se vocês do staff concordarão com as minhas posições, mas grande parte do que eu li foi tão absurdo e antiquado, que não pude deixar de encontrar o contato de vocês para explicar o que me incomoda.
A revista chegou até mim com uma matéria sobre como ser hipster. Dentre s dicas da revista estão morar em um bairro alternativo, andar com pessoas que se vestem do mesmo jeito e como é importante postar no instagram tudo o que se faz. A matéria pareceu tão absurda que achei que era irônica. Por falar em como entrar para a turma de descolados e dar ideias sobre como devem ser as tatuagem das meninas ao lugar onde elas devem morar. Um hipster tem que ter um cachorro de grande porte e ouvir músicas muito específicas, porque é cool. Acho que tanto isso de “como entrar para a panelinha esquecendo da sua individualidade” quanto ditr como alguém deve viver é algo que deveria ter sido ultrapassado lá pela década de 1960, não? Afinal, essa separação em grupinhos descolados e não-descolados que originou o bullying, um grande problema da sociedade atual.
Já que entrei no assunto do bullyng, outra matéria me chamou atenção: a revista questionou a possiblidade de uma moça fora dos padrões ganhar a vida como modelo. Ao que a matéria dá a entender, a moça é feia e faria sucesso por ter uma mãe muito bem relacionada no mundo da moda. Não vi nada de feio na moça. O mais estranho ainda: não vi nada fora dos padrões. Uma moça magérrima, branca, de olhos claros. Não é surpreendente ela ser modelo. O que é surpreendente é ainda existirem pessoas que buscam esse padrão insano de beleza de passarela, tão excludente. O tom da matéria beira o deboche, como se ela fosse muito feia para ser modelo (tenho que reforçar que a matéria inteira não fez sentido para mim).
Outra matéria que está em destaque na página inicial é uma em que vocês transformaram a Valesca Popozuda e Jaque Koury em “ladys” e passaram uma lista de como uma lady se porta. O lead da matéria é “Nenhum obstáculo é intransponível para a Glamour! Transformamos duas popuzudas que amamos em ladies dignas de um chá das 5 com a rainha da Inglaterra”. Como se elas, por terem optado por uma outra postura, estivessem erradas e vocês tivessem um feito homérico em transforma-las para se adequarem aos padrões. Na matéria, vocês falam (copiarei literalmente mais uma vez, desculpem):
Uma lady jamais é vista mascando chiclete ou mastigando fora da mesa. Até numa mesa de bar, numa roda de samba, ela come sentada, com o guardanapo no colo. Certa vez, perguntei a uma amiga muito lady, como ela seguia a regra num coquetel. “Há coisas muito mais interessantes para fazer num coquetel que comer e beber. Como estar bonita para um possível marido.”
Pois é. Uma mulher deve se preocupar em estar bonita ao lado de um futuro marido, não devendo nem comer para não sair do padrão de lady. Não é uma afirmação legal de se fazer. Um coquetel pode levar horas, e uma mulher pode ter fome (sim!), ou ter mais a contribuir que ser um rosto bonito ao lado do marido. Na mesma matéria, a lady sai arrumada até para ir ao mercado, pois se encontrar um ex, vai querer se vingar. Esse é o meu conceito oposto ao de mulher educada (supus que era isso que vocês quiseram dizer com lady). Acredito que o melhor seria não guardar rancor, viver feliz e desejar o melhor ao outro. Talvez eu viva em mundo fantasioso, mas acho que quando o amor acaba, não se deve buscar fazer uma invejinha ao ex, mas deixar as mágoas para trás e seguir em frente com a vida. Além do mais, ninguém precisa deixar de lado o moletom fofinho de domingo porque vai na farmácia. Acho que uma lady não deveria sair julgando as outras mulheres assim.
Não vou dizer que não vi coisas positivas na revista. A reportagem sobre a Carol Marra, sobre uma mulher que nasceu menino, muito positiva para lutar contra o preconceito a essas mulheres. Muito legal mostrar que ela consegue ter uma vida ok, com emprego, graduada em três faculdades, apesar de todos os obstáculos da vida (com certeza, obstáculos maiores que colocar um vestido de festa em uma panicat). A entrevista com a Tammy Gretchen (apesar da forma irônica que a mãe dela é tratada) também traz uma história muito bonita de aceitação da família, muito interessante. Na verdade, a coluna “Na Real” mostra muito mais do que se espera de uma revista feita para uma mulher moderna que outras.
Fiquei impressionada como a revista se moldava, na maior parte do tempo, em ideias ultrapassadas sobre mulheres e comportamento. Vi as páginas da versão americana e francesa, e nada disso aparecia por lá. A questão de moda é tratada com muito mais leveza por elas, sem imposições para as leitoras, ou tentar fazer com que as pessoas sejam o que não são. Apesar de eu ter as minhas reticências com a indústria da moda, acredito que a Glamour tenha mais a oferecer que mostrar como podemos tentar seguir um padrão frustrante – visto que até modelos são questionadas como ideais pela revista. Não sei se essa crítica será ouvida, mas espero que o corpo editorial da Glamour repense sobre a imagem que passam às leitoras. Grande parte é muito cruel.

Para a 4ª B do twitter

30 de abril de 2013 by

Eu sempre sou uma das primeiras a falar em favor da zuera e cortar o mimimi das redes sociais. A internet tem que ser um grande bar que todo mundo ta brincando e curtindo, senão poderíamos voltar e fazer hora extra no trabalho.

 

Sem título

 

Mas incomoda ver, nos últimos dias, que a idéia de ajuda ao próximo que ficou em algum lugar entre descobrir que puxar o cabelo do amiguinho é errado, porque quando ele puxa o seu dói. Também é um princípio de educação básica de que, quando alguém passa mal, você ajuda.

 

No domingo, uma menina anunciou no twitter que estava tentando se matar naquele exato momento. Não sei quantas pessoas conhecidas dela estavam na internet, ou se alguém tinha o endereço dela viu as postagens. Mas as respostas do estilo “tem que morrer mesmo” e “já vai tarde” pipocaram.

 

Daí entra o que todas as mães ensinaram aos filhos. Ao sentimento básico de empatia por outro ser humano. Mamãe ensina que, se alguém passa mal perto de você, é necessário chamar o pai do amiguinho, a professora, a polícia ou os médicos. O que aconteceu no twitter foi o equivalente à menina desmaiar no meio da sala e os alunos saírem para brincar de um morto muito louco com ela.

 

Então, quando encontraram a menina  caída no chão, as vozes da zuera mostraram que realmente vivem na 4ª série e não se responsabilizam pelo que falam: disseram que ela estava inventando tudo aquilo, já que estava no twitter e que o bombeiro não tinha identificação com o nome.

 

Agora pouco, o pai dela postou na conta da menina que ela teve complicações, e para os amigos torcerem por ela. A mensagem foi encaminhada aos amigos e demais pessoas que simpatizaram com o que ocorreu. O que a 4ª série B fez? Sim, tirou sarro do pai de uma menina que está morrendo aparecer para explicar o que aconteceu.

 

Eu fico muito preocupada, porque isso pode acontecer várias vezes em situações diferentes. Um assalto, um mal estar súbito, e a internet ser nosso único meio de comunicação com qualquer um que possa se importar. Por via das dúvidas, vou andar sempre com o cabelo bem preso quando for brincar pelo twitter.

 

I’m done with the game

29 de outubro de 2012 by

Em 2010 eu terminei um namoro demais de cinco anos. Sem arrependimentos, não conseguiria – nem consigo ainda – lidar com todos os compromissos que um relacionamento sério exigia. Desde então, passei a ser jogadora. E a amar o jogo.

O flerte, a conversa, a conquista, o sexo, era tudo excitante e maravilhoso. Sempre tem contrapontos, como o carinha que não entendeu o conceito, o stalker, as decepções sexuais. Mas tudo valia a pena. Era como se tocasse Poison Ivy na minha cabeça por dois anos sem parar.

E como qualquer música que toca sem parar, o jogo ficou chato. Você sabe como a conversinha meia boca vai terminar, como agir com os diferentes tipos de homem, o que vestir. Até que se torna uma coisa tão mecânica que para de ser legal. Não tem mais jogo de verdade, é no máximo um conjunto de ações de The Sims que você sabe como vai acabar.

Tanto que o mais perto de novidade para mim é antecipar o que a pessoa vai falar, só pra vê-lo ficar sem resposta. É o mesmo protocolo, e quando um ponto sai da estatística, tudo fica estranho. É que esse não era o que eu buscava.

Esclarecendo: sexo é a coisa mais maravilhosa do mundo. Por isso, tem que ser feito com vontade de verdade, com alguém capaz de te fazer pirar só por estar contigo. O tesão bobo de momento já não encanta mais. É a conversa do cigarrinho começar para eu pensar “ok, só me deixa em casa”.

Só quero achar o ponto de equilíbrio entre A e B, ou só ficar quietinha quando “estão me olhando dançar e eu sou muito sexy”. Acho que isso eu já sei.

Que Someone like you, que nada

27 de fevereiro de 2012 by

Estava eu entre uma loja e outra das ruas de Curitiba, quando ouvi a música Someone Like You, da complexada traída deprimida Adele. Seis Grammys depois, eu resolvi ouvir o que ela estava falando. A letra dizia “never mind, I’ll find someone like you”. Como assim?

 

Pelo que eu entendi da música, o ex namorado traiu a moça. E o que ela quer? Um cara como ele, e que pra ela, ainda não está acabado. Minha filha, você já teve o coração partido, escreveu um álbum todo choroso sobre isso e ainda quer mais? Que tipo de masoquista é você?

 

Se um cara me trata mal, eu quero é distância dele e dos caras que fazem o mesmo tipo. Você está apaixonada, você se decepciona, sofre e segue em frente. Você não fica num ciclo sem fim do mesmo tipo de homem lixo com quem você se envolveu antes. É nessas de procurar alguém como o babaca anterior que você vai envelhecendo e acaba ficando pra titia (e não me venha dizer que está ok porque você tem sua música).

 

Adele querida, siga em frente, arrase e encontre alguém melhor do que esse imbecil. Achar alguém igual, ou tentar voltar pro mesmo jacu é muita falta de auto-estima. Já deu de ser a gordinha ingênua que sofria bullying e se contentava com o que vinha.

ah, eu me arrependo.

22 de fevereiro de 2012 by

Uma das máximas divulgadas massivamente pela internet, junto a frases de Clarice Lispector e Paulo Coelho, é a frase “só me arrependo do que eu não fiz”. Não sei se eu fiz coisas demais ou esse pessoal que quer se passar por muito seguro, mas penso exatamente o oposto. Arrependo-me do que fiz, do que não fiz e do que evitava fazer enquanto estava sóbria. Vou apontar o top 3:

  1. Dar PT no ano novo. Eu estava ficando com um cara, fui conhecer a família dele depois de 10 dias juntos (péssima idéia), no réveillon (péssima idéia) e com muito álcool envolvido. Desmaiei cinco vezes, não me lembro de nada da noite, só sei que vomitei pela casa de praia da família inteira, falei que amava o menino e que nunca mais consegui pensar em ter uma conversa com algum membro daquela família. Ainda agüento piadas sobre isso, que não posso rebater, porque não sei se tudo o que me disseram aconteceu ou não.
  1. O roubo do meu carro que não foi. Eu bebi, ok. Eu entrei em pânico, ok. Eu liguei pra polícia falando em inglês. Chorei de joelhos na calçada, sozinha. Fiz meu pai voltar antes de viagem. Pra descobrir que o meu carro estava lá o tempo todo pelo intagram de uma amiga. Eu podia ter ficado em casa, ter ido pro show que uns amigos iam, mas não. Quis ir pro lugar playboy pra me ferrar.
  1. Ter namorado dos 16 aos 21 anos. Não vou dizer que eu não tava feliz, que não foi maneiro ou que eu queria uma coisa diferente. Mas “pra que se prender, se tu tem muito ainda que curtir a vida?” (K9, Mc), eu podia ter feito mil coisas diferentes nesse tempo, como ter ido ao show do Aerosmith, Paul McCartney, balada com as amigas, ter pego o cara que representava o Irã na simulação da ONU (ok, peguei depois que terminei), feito intercâmbio,não ter me irritado por ciúme, conhecer mais que o norte do Paraná nos feriados.  Podia ter passado por seis namoros e ter mais o que colocar no currículo. Não, preferi sacrificar os anos que tinham mais potencial pra ousadia.

O arrependimento não melhora com o tempo. A vontade de dar uns tapas em si mesma continua lá. Essas experiências valem pra você não repetir os mesmos erros e ficar andando em círculos pela vida. Mas que podia existir um jeito menos doloroso de aprender as coisas, podia.

Neurose, Psicose e Perversão

5 de dezembro de 2011 by

Encontraram-se no mesmo bar de sempre Neurose, Psicose e Perversão. Neurose tinha certeza que sua maquiagem já estava saindo, então começou a passar lápis no olho e a tirar, com medo de ficar borrado. Psicose não poderia admitir aquilo e deu um grito, jurando que viu uma barata no chão. Perversão procurava pelos prováveis alvos da noite, quando ele chega. Ele, que as três queriam.

Neurose começa a arrumar o cabelo, Perversão se levanta e caminha até ele com um sorriso no canto do rosto, quando Psicose nota o que está acontecendo e chama o garçom para uma conversa discreta. Perversão fala de tudo que queria fazer naquela noite, Neurose tinha certeza que ele não foi falar com ela porque ela estava gorda e o garçom vai até os dois para informar que o carro dele não estava lá.

Ele pede para Perversão esperar, que aproveita essa saída para conversar com um cara que estava sentado no bar, Neurose corre até ele, preocupada com o que podia ser se ele saísse dali, quando Psicose pega a mão dele e diz que vai fazer o possível para ajudar com o carro dele. Neurose vai para o banheiro verificar a roupa e a maquiagem, Perversão passa o seu número para o carinha, e Psicose bravamente encontra o carro do tão amado.

“Não vai me retribuir pelo achado?”, disse psicose. Neurose, já na terceira Ice, diz que sabe que o carro não foi roubado, que era um plano de Psicose. Perversão chega, olhando a tensão entre as duas, e fica imaginando como seria interessante se elas começassem a se pegar. Psicose, para manter a sua história e tirar Neurose do caminho, argumentou que com aquele cabelo e aqueles sapatos, ela só poderia estar junto dos prováveis ladrões.

Perversão sugere para o amado resolver isso com todos num motel. Ele se irrita e diz que ela era incapaz de entender a gravidade da situação. Perversão desiste e vai para a mesa de uns três gatinhos. Neurose fica indignada com os comentários de Psicose, disse que estava falando a verdade e que, apesar do cabelo e dos sapatos não serem os que ela queria, ela não tinha nada a ver com um roubo que não aconteceu. Neurose falou aquilo esperando que ele dissesse que ela estava perfeita, mas nada. Neurose apenas disse que os dois se mereciam e foi para casa.

No caminho para a casa de Psicose, enquanto ela comentava como ele foi heróico naquela noite e que ela sempre soube que ele o amava, ele disse que não era assim. Psicose disse que já não havia porque ele esconder seus sentimentos, que os dois sempre souberam que eram almas-gêmeas. Ele disse que ela foi muito legal, mas que ela era apenas uma amiga. Depois de uma longa discussão, Psicose terminou o caminho para casa sozinha.

Às 4 da manhã, Neurose fazia uma hidratação no cabelo, Perversão fumava um cigarro pós-transa e Psicose notou que o que fez não tinha sentido. Neurose encontrou um cara que sempre dizia que a achava linda, Psicose, um terapeuta e Perversão, uma religião. Ainda se encontravam no mesmo bar, e como não? Mesmo um babaca pode te mostrar que a sua vida não caminha no rumo certo. E o cara? Ah, foda-se o cara.

Sim, é SÓ internet

11 de outubro de 2011 by

As redes sociais aproximam as pessoas, fazem com que tenhamos contato com amigos de todo o canto do planeta, e até nos aproximam de desconhecidos. Mas esta aproximação é confundida com intimidade por alguns. Não somos o nosso twitter, não somos o nosso facebook, e as pessoas que estão nos nossos perfis não são, apesar da classificação dada por esses sites, nossos amigos.

Compartilhamos o que fizemos, com quem fizemos, em que lugares fomos, damos nossas opiniões e um expectador desavisado pode considerar que nos conhece. Dar opiniões sobre as nossas atitudes, aconselhar quando colocamos um status mais sério, as estas pessoas não sabem em que cenário nossos status estão inseridos. Amigos, sim, correm atrás quando vêem estes status, fazem alguma coisa para mudar, mas quantas pessoas que só nos conhecem pelas redes sociais podem fazer isso?

Também não devemos justificativas dos nossos atos a desconhecidos. Sim, desconhecidos, pois ninguém passa a ser conhecido por um followback no twitter. Não temos que explicar o motivo de parar de seguir alguém, porque deixamos de participar de um grupo ou porque não demos like na página do trabalho de alguém. Não nos conhecemos, então representamos, sim, um número, uns para os outros.

Estando na internet desde 2001, consigo contar nos dedos os amigos que fiz online. Não passam de dez, com certeza. Não menosprezo o contato com quem eu converso, mas não considero amigo. Existem muitas pessoas interessantes para conversar sobre alguma coisa, que compartilham ideais, senso de humor ou gosto musical comigo. Só que estas pessoas não fazem idéia de quem eu sou, assim como o contrário também é verdadeiro. Nossas vidas não tomariam outro curso se, de repente, sumíssemos da vida uns dos outros.

Sempre terão outra pessoas que podemos compartilhar a nossa idéia de quem seria um melhor presidente, se Stones é melhor que Beatles ou todas as montagens de Sou Foda que existem na rede. Porque o que nós postamos não é 5% da nossa vida e, para alguém que não conhece nem 5% de mim, eu não devo nenhuma explicação.

Manual de sobrevivência e zuera no facebook

23 de agosto de 2011 by

Vejo muitos amigos desesperados, falando “meu Deus, como mexer nesse facebook? Como tirar essa tia que fica me marcando em fotos de mensagens religiosas? Qual o limite para cutucar alguém? Quem manda no facebook?”. Amigos, calma. Por mais que não pareça, existe espaço para a zuera e curtição (risos) no face’s (fale assim para parecer descolado).

1- Cutucadas
Recurso mais babaca e inútil inventado na face (risos) da terra. É mais fácil virar pra guria e perguntar se ela topa uma partida de strip Pokémon, já que não consegue chegar agarrando.

2- Curtir
Existem duas opções de curtir: parecer pseudo culto e ZoEiRa. A primeira aparece quando aquele carinha que faz doutorado na França publica um link em austríaco sobre uma cidade de 500 habitantes nos Alpes, e você curte pra ele notar a sua presença e a sua foto com decote segurando uma ice na balada. A segunda é quando a menina posta “NOSSA, NÃO AGUENTO MAIS” e você pensa “ordinááááária” e curte prensando que ela conheceu o doutorando bêbada de ice e estava até aquele momento numa ousadia louca embalada ao som da banda Cangaia de Jegue.

3- Comentar publicações
Quem manda no facebook? A VIBE. Se você está em vibe de muita curtição com seus amiguinhos, comente posts de desconhecidos, coloque o link para o Jesus Manero quando citarem a bíblia e fale que evitava viver em cada publicação de Colhendo Clarice. A penas sinta o astral do ambiente e lembre-se que o facebook é uma festa de empresa, e você é tio da contabilidade que faz a piada do pavê.

4- Configurações de privacidade
Você pode compartilhar uma coisa com estranhos, conhecidos, grupos de pessoas ou até mesmo só com você mesmo (!!!!!!!!!!!!!!!!). Então se você é fã da zuera moleque, que comenta no facebook com os pés descalços, coloque uma piada de humor negro e espere colher os frutos do seu trabalho. Se você quer jogar fotos suas fazendo sexo com uma menina, mas tem vergonha do tamanho do seu jequitibá, escolha apenas os amigos que acompanham você ao vestiário.

5- Marcar em publicação
O facebook pode parecer a lista de chamada da escola, pois você nunca está com a a Aninha, a Tata e a Cici, mas com a Ana Claudia Camargo, Tatiane Roduigues e a Silmara Silva fazendo um esquenta pro churras da facul e curtindo muitas ices antes de ir da vibe da rave com as amigas inesquecíveis, que serão marcadas no seu álbum Momentos.

6- Grupos
Se eu fosse dona do facebook (o que eu sou, volte ao item 3. Esta é a minha vibe hoje), mudaria o nome de grupos para grupos de zuera. Um grupo é como uma comunidade do Orkut, mas com as publicações e comentários todos na mesma página, que você recebe noticifação a cada comentário adicionado!!! ISSO MESMO, você acompanha uma postagem com 200 comentários abertos sem você pedir, no conforto do seu lar, e se você perder algum, vai aparecer nas suas notificações!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Melhor que isso, só saber que os comentários consistem em piadas sobre você e comentários do tipo “KKK” (dê report as spam para estes que pregam o racismo).

7- COPIE E COLE NO SEU MURAL
Este é um fenômeno muito bonito do facebook, a mistura das antigas correntes de e-mail que preenchiam a Pré História da Internet com a vontade de mudar o mundo com hashtags no twitter. O mais bonito é que ou você cola no seu mural que está preocupado com as crianças escravas da Letônia, ou você é a pior pessoa do mundo, que coopera com os nazistas.

Amigos, este é o módulo 1 de como sobreviver ao gigante desconhecido facebook, obrigada a todos que compareceram a este evento. Copie e Cole no seu mural.

Benefícios?

7 de junho de 2011 by

Sabe aquela história sonho de consumo de ser amigo com benefícios de alguém? Esqueça. Não falo de se apaixonar, de perder o limite e ligar para o cara a cada 10 minutos ou de contar até quantas mastigadas você deu no bife de fígado no almoço. Amizade é uma coisa, sexo é outra.

 

Você pode ter um carinha que liga cada vez que está afim. Ok. Você pode ter um amigo tudo de bom,  que está ao seu lado em todos os momentos, e que você compartilha tudo, mas estas duas esferas não existem no mesmo espaço-tempo.

 

Exemplo empírico:

 

Eu e um peguete tudo de bom começamos a ficar próximos, mas sem amor, mais uma amizade. Ficou estabelecido, então o friends with benefits, a melhor invenção desde a Internet (sim, desde a Internet).  Aí é que os limites começaram a pegar.

 

Eu ouvi todos os problemas que ele passou neste ano, incluindo os problemas com gurias. Aconselhei, ajudei, como uma boa amiga que, no fundo, queria mesmo o que ele sabia fazer de melhor.

 

Uma bela noite, ele chega para mim e diz “Helô, transei com a minha ex namorada, e agora?”. Como assim, “e agora?”? Pior, começou a contar como os dois foram parar na cama, com todos os detalhes que os machos compartilham em uma mesa de bar. Eu interrompi com um “sério, você vai me dar os detalhes?”, não por ciúme ou paixãozinha, mas pelo absurdo que a situação chegou.

 

Intimidade é uma merda. E quanto mais íntimo você fica de um amigo, mais longe fica a diversão, no melhor sentido disso. É simplesmente bizarro e fora da realidade demais para se seguir em frente.